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Exhibition – Cité du Vin, Bordeaux, France
Curated by Nuno Faria and Eglantina Monteiro

Douro é nome de rio que transborda para as margens, tornando-se também nome de uma região. São cerca de 100km – entre Barca d’Alva, na fronteira com Espanha, até Barqueiros, quase a desaguar no Porto – em que o Douro é água e terra. A jusante de Zamora e de Barqueiros, o rio não se impõe no espaço que atravessa.

Do seu longo curso [cerca de 900km], é aqui que Douro é nome de um encontro de água, pedras, plantas, animais e pessoas, e a chave por trás do qual este encontro pela primeira vez e também a última se dá.

O ar, o fogo, a terra e a água atingem aqui um ponto de equilíbrio de onde nasce uma forma de vida vegetal irrepetível, cuja fermentação converte no nobre e internacional Vinho do Porto.

Sendo um vinho que passa por um complexo processo de fabricação e envelhecimento, foram muitos os que dentro e fora do país tentaram produzi-lo noutras paisagens. Sem sucesso.

(…) esta exposição é uma (e)vocação animista da região, que convoca a voz dos homens, o canto das aves, o som metálico do xisto, o correr das águas e o sopro do vento.

Em primeira instância, é uma experiência performativa que pode ser entendida como uma composição; trata-se de uma exposição que tem uma duração — articula, faz coabitar sons antigos e contemporâneos, depoimentos ouvidos, vozes do além e visões do passado projectadas no presente. É, na sua versão aérea, uma paisagem sonora.

Em contraponto, a terra, o chão, a matéria é trabalhada e trazida pelo atelier de arquitectura Skrei, sedeado no Porto, e o enólogo e produtor Mateus Nicolau de Almeida, que desenvolvem uma continuada e profícua colaboração na região do Douro, em Vila Nova de Foz Côa, em torno da criação
de lugares de culto do vinho. Juntos, oferecem-nos um panorama dessa demanda conjunta, desse inquérito aos segredos da região, na qual, sob a auspiciosa tradição dos monges cistercienses, dialogam conhecimento do passado e experimentação. – EGLANTINA MONTEIRO E NUNO FARIA – Curadores

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A exposição desenvolvida pelos curadores Nuno Faria e Eglantina Monteiro e apresenta uma visão orgânica e antropologicamente atenta à paisagem do Douro – num encontro de água, rocha, aromas e civilização. A partir das suas profundezas, entrelaçando elementos matéricos, sónicos e visuais, o projeto vem captar
a imaterialidade ancestral deste lugar. – RUI MOREIRA