ALBA 62C

A transformação está em tudo o que conhecemos e desconhecemos. A energia inerente a qualquer processo de transformação é como uma força que migra no tempo e e se manifesta durante acontecimentos entre o passado e o futuro. Esta energia transporta a memória de acontecimentos, interacções e intercepções.

Quando presenciamos a transformação da matéria algo de familiar acontece, um reconhecimento estranho e simultaneamente próximo. A transformação tem por isso vários estados que se desenvolvem no tempo, e que nos interpelam perante a incerteza dos acontecimentos, será que aconteceu, estará a acontecer ou irá acontecer?



Os Encontros para Além da História de 2019, sob o título “É preciso incendiar todos os museus!”,  propuseram pensar o devir do museu enquanto repositório de memória futura. Neste âmbito criámos um momento de transformação entre dois estados, o sólido e líquido, explorando os limites de informação e expressão da matéria.  Será um momento contraditório uma vez que a forma da peça a apresentada sugere o nascimento de algo que depois desaparece.

NUNO FARIA curador dos Encontros – “Tanta violência exercida nos museus, tantos objetos que pedem para não estar ali, arrancados à escuridão e devolvidos à luz, a uma nova condição, a um contexto outro. Les statues meurent aussi… Contudo, continuo a acreditar nos museus como lugares de exercício cívico porque delegam no espetador a sua implausibilidade, conferem-lhe o poder de escolher, de recusar, de criticar, ajudam-no a constituir-se como ser humano no fluxo por vezes incongruente, outras exuberante, da política e da poética da nossa existência.”